GEF capta R$ 300 milhões em novo fundo para Brasil

Por Maria Luíza Filgueiras | De São Paulo

Wadih e Alvim, sócios da gestora: aporte em empresas nacionais que buscam eficiência no uso de recursos naturais

A gestora de private equity GEF Capital Partners acaba de levantar um novo fundo para investimento em empresas no Brasil. A companhia é resultado de uma reorganização societária e de ativos, que tem origem na gestora americana Global Environment Fund (GEF), mas pretende manter a mesma filosofia de investimentos.

O fundo de R$ 300 milhões foi captado ao longo dos últimos dois anos, prazo um pouco mais longo do que a gestora pretendia inicialmente, dadas as turbulências no mercado internacional no ano passado e o conturbado processo eleitoral brasileiro.

Mas foi também nesse período que a gestora acabou fazendo um rearranjo societário. Com a cisão de parte dos fundos, seis sócios que compunham o time da GEF criaram a derivada Capital Partners – são dois sócios no Brasil, dois na Índia e dois nos Estados Unidos. No Brasil, os sócios são Anibal Wadih e Alexandre Alvim.

“Havia uma questão de sucessão na gestora e queríamos dar continuidade à visão dos fundadores, então seguimos com o mesmo propósito de investimento e mantivemos parte do nome da casa”, diz Wadih.

Fundada em 1990, a GEF foi criada com o propósito de investir em companhias de impacto ambiental e social positivos, por meio de eficiência energética, por exemplo, ou companhias que mantenham práticas consideradas sustentáveis. “Não se trata de filantropia, mas de negócios que sejam sustentáveis e também deem retorno financeiro”, afirma Alvim.

A gestora começou a investir no Brasil ainda naquela década, na companhia de logística ALL, mas foi em 2015 que abriu um escritório no Brasil. Naquele ano, levantou um fundo de R$ 200 milhões e os sócios, na nova composição, continuam gerindo os quatro ativos desse veículo. A carteira é composta pela Tecverde, uma construtora curitibana que usa placas de madeira ao invés de alvenaria, o que reduz o tempo de obra e de materiais utilizados, tornando o custo da construção menor. O fundo investiu na AGV Logística, que foi dividida em duas, criando a 3PL Brasil Logística, e também fazem parte do portfólio a Luminae, empresa de iluminação que busca eficiência energética nos projetos, e a ENC Energy, que gera energia a partir de biogás de aterros sanitários.

Os gestores não assumem funções executivas. “Mas participamos ativamente do negócio por meio de reuniões de conselho mensais e de reuniões semanais de comitês”, diz Alvim.

Para viabilizar o fundo em um período de captação em que o mercado brasileiro e internacional estava mais volátil, os gestores tiveram que atender a uma demanda dos investidores. “Nosso investidores são principalmente family offices, que acreditam na retomada da economia brasileira”, diz Wadih. “Mas eles queriam nossa amostra de que também acreditamos e demandaram maior comprometimento de capital nosso”, complementa. Assim, os sócios colocaram patrimônio próprio no fundo novo.

Os novos investimentos terão tíquete médio entre R$ 60 milhões e R$ 100 milhões, em empresas com geração de caixa a partir de R$ 10 milhões, de segmentos como energia solar, agronegócio e tratamentos de resíduos. Nos três países de atuação, a gestora soma atualmente US$ 700 milhões sob gestão.

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